Histórias que marcam

Quando abri os olhos, comecei a rir sozinho.

Por Pedro Miranda, paciente

Minha vida até os meus 21 anos foi muito tranquila. Eu cantava profissionalmente desde os 19 e me apresentava em vários lugares. Quando eu perdi o meu pai e a minha mãe, tudo começou a ficar meio conturbado. Eu passei a beber, coisa que eu não fazia, saía direto. Aí eu fui internado no Hospital Psiquiátrico São Pedro. A partir de então, minha vida mudou totalmente. Tive o apoio de profissionais que me ajudaram muito. Lembro que um dia a doutora Roberta me colocou sentado numa cadeira e disse para eu fechar os olhos. Eu fechei. Depois, ela pediu para eu pensar em duas pessoas. Na hora, veio meu pai e minha mãe. Eu comecei a chorar muito lembrando dos dois. No final, ela falou para mim: se despede. Eu me despedi deles. Quando abri os olhos, comecei a rir sozinho. Eu não sabia por que, mas me senti mais leve, me senti melhor. Ela disse para eu dormir, que no dia seguinte estaria bem melhor. Fui dormir, acordei sete da manhã, sonhando com meu pai e minha mãe, e com uma música na cabeça. No fim do tratamento, retomei minha carreira e voltei a fazer shows pelo Estado.